Tren de Aragua: como facção venezuelana na mira de Trump age no Norte do Brasil

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Tren de Aragua: como facção venezuelana na mira de Trump age no Norte do Brasil

Tren de Aragua: o cerco americano a narcotraficantes da Venezuela gera tensão na região No início de 2025, a polícia de Roraima localizou um cemitério clandestino em uma região de mata de Boa Vista. Ali, foram encontrados ao menos nove cadáveres, a maioria de vítimas venezuelanas. Segundo as investigações, os corpos foram enterrados após homicídios cometidos por diferentes criminosos. A testemunha responsável por levar a polícia até o local atuava como olheiro do grupo crimin

Tren de Aragua: o cerco americano a narcotraficantes da Venezuela gera tensão na região No início de 2025, a polícia de Roraima localizou um cemitério clandestino em uma região de mata de Boa Vista. Ali, foram encontrados ao menos nove cadáveres, a maioria de vítimas venezuelanas. Segundo as investigações, os corpos foram enterrados após homicídios cometidos por diferentes criminosos. A testemunha responsável por levar a polícia até o local atuava como olheiro do grupo criminoso Tren de Aragua e afirmou em depoimento que estava sendo perseguida pela facção, que também sequestrou sua família. Este é apenas um dos casos registrados pelas autoridades de Roraima envolvendo o grupo venezuelano, que hoje está presente em ao menos quatro municípios do Estado. Fundada originalmente em uma prisão no centro-norte da Venezuela, a cerca de 60 km da capital Caracas, a organização criminosa também atua em vários outros países sul-americanos, como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile. No ano passado, o grupo entrou na mira do presidente americano, Donald Trump, ao ser classificado como organização terrorista estrangeira pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, a mesma designação dada às facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) mais recentemente. Segundo o governo americano, o Tren de Aragua, também conhecido no Brasil pela sigla TDA, é um grupo "brutal" envolvido em sequestros, extorsão, tráfico de pessoas para exploração sexual, contrabando de mercadorias e migrantes, mineração ilegal, tráfico de drogas e roubo. Os Estados Unidos ainda acusam a organização de ter mantido vínculos com o governo de Nicolás Maduro, que atualmente aguarda julgamento na Justiça americana por narcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas. Policiais da Força Tática prendem um homem por supostamente vender drogas na fronteira com a Venezuela, em 2019 AFP via Getty Images De Tocorón para Roraima Antes mesmo de entrar na mira de Trump, o TDA sofreu um grande golpe em sua estrutura quando, em setembro de 2023, o governo venezuelano retomou o controle do Centro Penitenciário de Aragua. A prisão, que ficou popularmente conhecida como Tocorón, mesmo nome da cidade onde está localizada, é considerada o local de nascimento da facção e estava nas mãos dos chamados pranes (líderes criminosos) desde o início dos anos 2010. Há pouco menos de três anos, uma operação encabeçada pelos ministérios da Justiça e Interior do governo do então presidente Nicolás Maduro invadiu o local e tomou o controle. A tomada da prisão foi vista por especialistas e pesquisadores do tema como significativa para o futuro da organização criminosa. O grupo ficou significativamente enfraquecido e perdeu grande parte de sua cobertura política e aliados no Estado. Relatos da imprensa local, porém, apontam que as lideranças criminosas foram avisadas sobre a intervenção com antecedência e conseguiram deixar a área com armas e dinheiro. Atualmente, um dos principais redutos da quadrilha é controlado por Yohan José Romero, também conhecido como Johan Petrica, em Las Claritas, uma das últimas cidades venezuelanas antes de uma grande área florestal que faz fronteira com o Brasil. É de lá que se acredita que saem as ordens para os criminosos que atuam em território brasileiro. Há relatos de presença do Tren de Aragua em pelo menos seis Estados no país, mas o grupo se consolidou principalmente na região Norte, mais próxima da Venezuela. Em Roraima, onde a polícia acredita que se encontram as maiores células, a organização se fortaleceu por meio do tráfico de drogas e de armas, controle de esquemas de prostituição, transporte de migrantes, empréstimos e extorsão. Ronna Rísquez, jornalista e autora do livro O Trem de Aragua: O Grupo que Revolucionou o Crime Organizado na América Latina, afirma que os primeiros indícios de infiltração de um dos braços da facção em território brasileiro datam de 2016. Em Roraima, os criminosos teriam encontrado condições de vida mais amigáveis do que na Venezuela, onde já eram conhecidos e procurados, além de formas de expandir seus negócios e lavar seu dinheiro ilícito. "A Venezuela estava em uma complexa situação de emergência humanitária [na época] e o lado brasileiro era mais seguro, apresentava melhores condições", diz a pesquisadora. "Aos poucos eles começaram a comprar propriedades e a se estabelecer." Apontado como um dos "pais" do TDA, o traficante Johan Petrica teria transitado livremente pela fronteira com Roraima durante anos e, inclusive, tido um filho no Brasil, segundo Rísquez. Johan Petrica e outros três membros da facção foram indiciados por terrorismo e distribuição internacional de drogas pela Procuradoria dos Estados Unidos em dezembro do ano passado. Seu paradeiro é desconhecido pelas autoridades atualmente. Presença do Tren de Aragua em Roraima Gráficos por Caroline Souza, da Equipe de jorn

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