Brito-Semedo à conversa com Djosinha - Djosinha (1934-2026): a voz que se tornou parte do país

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Brito-Semedo à conversa com Djosinha - Djosinha (1934-2026): a voz que se tornou parte do país

A sua voz atravessou gerações, acompanhou partidas e regressos, animou palcos, navios, rádios e comunidades da diáspora. Mais do que um cantor, foi um intérprete da memória colectiva cabo-verdiana. Esta conversa com Brito-Semedo, emitida no dia 25 de Maio, no Podcasts / Vozes e Histórias, assume hoje um significado especial. Foi a última grande entrevista concedida por Djosinha a um órgão de comunicação social. Nela revisita a infância no Mindelo, os primeiros passos no Cinem

A sua voz atravessou gerações, acompanhou partidas e regressos, animou palcos, navios, rádios e comunidades da diáspora. Mais do que um cantor, foi um intérprete da memória colectiva cabo-verdiana. Esta conversa com Brito-Semedo, emitida no dia 25 de Maio, no Podcasts / Vozes e Histórias, assume hoje um significado especial. Foi a última grande entrevista concedida por Djosinha a um órgão de comunicação social. Nela revisita a infância no Mindelo, os primeiros passos no Cinema Eden Park, a passagem pela vida marítima, a integração no histórico Voz de Cabo Verde, as digressões internacionais, os anos de rádio nos Estados Unidos e a relação singular que sempre manteve com o público. Ao longo do diálogo, emerge um homem que nunca separou a música da comunidade. A sua arte não se limitava à interpretação vocal; era também presença, comunicação e partilha. Djosinha cantava para as pessoas e com as pessoas. Foi essa capacidade de transformar o espectáculo em encontro humano que lhe garantiu um lugar singular no património cultural cabo-verdiano. Cabo Verde reconhece o percurso de Djosinha. São Vicente reconhece o seu percurso. Reconhecem-no também as comunidades emigradas que durante décadas encontraram na sua voz uma forma de proximidade com as ilhas. Ao republicarmos esta entrevista, não prestamos apenas homenagem a um artista. Preservamos um testemunho. Escutamos uma voz que ajudou a contar Cabo Verde a si próprio e ao mundo. Fica o registo de uma vida longa, intensa e generosa. E permanece a voz. Porque há vozes que passam. E há vozes que permanecem. __________________________________________________________________________________ Manuel Brito-Semedo (MBS): Djosinha, muito obrigado por ter aceite este convite. Quando olha para trás, onde começa verdadeiramente a sua história com a música? Djosinha: A minha história com a música começou na cidade do Mindelo. Aos sete anos, actuei pela primeira vez no Cinema Eden Park, graças ao grande esforço do guitarrista Olavo Bilac, que já não se encontra entre nós há muitos anos. Foi ele quem insistiu com Tony Marques da Silva, grande pianista, para que me ouvisse. MBS: Conheci-o apenas através da música. Djosinha: Olavo Bilac insistiu muito. Tony Marques da Silva, talvez por causa da minha idade e do meu tamanho, hesitou inicialmente. Acabou por perguntar-me o que eu queria cantar. Respondi que queria cantar Deusa do Asfalto, música brasileira interpretada por Nelson Gonçalves. Tony admirou-se com a escolha e perguntou-me em que tonalidade queria cantar. Pedi-lhe que me desse uma tonalidade. Ele escolheu uma tonalidade difícil, mas aceitei. Comecei a cantar e, passados poucos minutos, disse-me que eu seria a estrela da noite. O espectáculo era no dia seguinte. Pediu-me que dissesse à minha mãe para me arranjar sapatos e roupa adequada. Foi a primeira vez que calcei sapatos. Naquela noite, o público do Eden Park aplaudiu aquele pequeno gigante. MBS: Que ambiente musical encontrou no Mindelo da sua infância? Falou de Olavo Bilac e de Tony Marques. O que o formou enquanto cantor e intérprete? Djosinha : Encontrei no Mindelo muitos músicos. Conheci o pai de Luís Morais, o Musa, o Tifefa Clarinete e grandes tocadores de violão. Entrei nesse ambiente muito cedo. Musa foi dos que mais insistiram em dizer que eu tinha qualidades. A minha mãe, porém, não gostava muito da ideia de eu andar naquele meio. Aconselhava-me sempre a ter calma. MBS: Imagino a preocupação da sua mãe. Era ainda menino, entre homens crescidos, numa época em que a música era muitas vezes associada à paródia e à vida nocturna. Djosinha : Eu morava na Rua de São João, frente ao Dibla e à Adega do Leão. Mais abaixo havia uma barbearia com oito ou nove barbeiros, que cortavam cabelo até às cinco da tarde. A partir dessa hora começava a batucada brasileira. Eu sentava-me no chão a ouvir. A minha mãe, preocupada, ia buscar-me, enquanto a malta lhe dizia para me deixar ficar. Era assim quase todos os dias. MBS: O Mindelo dessa época parece uma escola aberta, com a rua, a rádio, o cinema e os encontros informais. Djosinha : Quando era criança, encontrei no Mindelo uma forte influência brasileira e também a presença da música cubana. MBS: Estamos a falar de que anos? Djosinha : Nasci em 1934 e, em 1938, já ouvia esses músicos. MBS: Era precisamente isso que queria situar. Mais do que uma profissão, ser músico era já uma forma de pertença. A sua voz nasce num meio em que a música organizava a vida, aproximava as pessoas e dava forma à experiência colectiva. Avancemos então para a sua entrada no conjunto Voz de Cabo Verde, momento que marcou uma viragem na sua vida e também na própria música cabo-verdiana. O que mudou nessa altura? E o que fazia antes? Djosinha : Antes era marítimo. Quando o Voz de Cabo Verde apareceu em Roterdão, eu estava no Japão, embarcado. Um dia, o primeiro oficial chamou-me com um telegrama da co

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