História preservada: Icó, no interior do Ceará, tem mais de 400 imóveis dos séculos 18 e 19 tombados
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Icó, no Ceará. Claudiana Mourato/TVM Cariri Quem visita pela primeira vez a cidade de Icó, no Centro-Sul do Ceará, se encanta pelo patrimônio histórico e arquitetônico preservado. São mais de 400 imóveis dos séculos 18 e 19 tombados no Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da cidade, primeiro do Estado a ser tombado pelo Iphan em 1998. Quase 30 anos depois, o município ainda é considerado um dos mais representativos quan
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Icó, no Ceará. Claudiana Mourato/TVM Cariri Quem visita pela primeira vez a cidade de Icó, no Centro-Sul do Ceará, se encanta pelo patrimônio histórico e arquitetônico preservado. São mais de 400 imóveis dos séculos 18 e 19 tombados no Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da cidade, primeiro do Estado a ser tombado pelo Iphan em 1998. Quase 30 anos depois, o município ainda é considerado um dos mais representativos quando se fala em arquitetura tradicional do Ceará. A cidade é uma das maiores do Centro-Sul cearense, com cerca de 62 mil habitantes. Passou por tempos difíceis no final do século 19, em decorrência da crise da produção algodoeira e da grave seca que assolou a região entre 1877 e 1879. Momentos de instabilidade socioeconômica intercalados por períodos de desenvolvimento. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp Formada por portugueses e franceses, Icó herdou uma rica arquitetura no estilo barroco, mas com características próprias da região Nordeste e com linhas do neoclássico francês. O povoado que deu origem à cidade surgiu da ocupação de sesmarias (lotes de terras doados) ao longo do Rio Jaguaribe, com a instalação de currais de gado e moradias. Essas terras foram divididas e formaram o aldeamento de Icó de Baixo, que desapareceu devido a constantes inundações, e o aldeamento de Cima, ou Arraial dos Montes, que se desenvolveu e deu origem, mais tarde, à Vila de Icó em 1726. Era ponto estratégico do cruzamento de três importantes vias de comunicação colonial: a Estrada Geral do Jaguaribe (que ligava o Ceará a Pernambuco), a Estrada das Boiadas (que ligava o Ceará ao Piauí e à Paraíba) e a Estrada Nova das Boiadas (que partia de Sobral e ligava o Ceará a Pernambuco e à Paraíba). Em 04 de maio de 1738, a vila foi emancipada e se tornou cidade. 288 anos de história. Legislação urbanística Icó também se destaca como um dos primeiros municípios a ter legislação urbanística no país. Uma Resolução Provincial de 1850 inseriu na cidade um plano determinando um novo perímetro urbano. "O plano urbanístico de Icó foi criado através de uma carta régia que designava todo o traçado urbanístico, dos arruamentos, logradouros públicos, das quadras. Isso traz uma riqueza muito grande porque se comunica com o que a Europa trazia de urbanização, e também da ocupação colonial da coroa portuguesa, no processo de interiorização e a mudança do processo econômico", conta o arquiteto Márcio Rodrigo Coelho de Carvalho. "É um traçado monumental, uma arquitetura que se mantém preservada, íntegra. Talvez seja o mais preservado do Ceará, além de ser o maior entre todas as cidades. É um conjunto que expressa a arquitetura civil, o modo de morar das famílias, também a hierarquia da economia que foi colocada a partir da criação do gado", complementa. De acordo com dados do Iphan, todo o conjunto arquitetônico de Icó é composto por imóveis com características luso-brasileiras, coloniais, ecléticas, art-déco e até mesmo neoclássicas e rococó, além da arquitetura contemporânea. Tudo adaptado ao modo de vida do sertão, com o uso de formas simplificadas e de materiais locais. Não é difícil para quem passeia pelo centro da cidade perceber muitas dessas características. A variedade chama a atenção: fileiras de casas que compõem conjuntos únicos, com telhados de mesma altura e mesma inclinação, sobrados, portas e janelas com alturas alinhadas; mesmo sem conhecimento sobre arquitetura, a beleza da arte encanta qualquer pessoa. Abaixo conheça um pouco mais do espaço arquitetônico central. Largo do Theberge e Teatro das Ribeiras Largo do Théberge, considerado o maior largo da América Latina, medindo 955 metros de extensão. Claudiana Mourato/TVM Cariri De acordo com pesquisadores, Icó foi planejada por portugueses para ter três ruas: a da corte ou da elite, que era de moradia; a rua de serviço (dos escravizados); e a rua Larga, a do comércio, onde se encontravam os antigos negociantes, vindos de diversas localidades para vender e comprar mercadorias. Ao longo do tempo, algumas mudanças. A rua do comércio se transformou no Largo do Theberge - a maior intervenção arquitetônica realizada na cidade no século 20. É também considerado o maior largo da América Latina, medindo 955 metros de extensão. Essa é a terceira versão do espaço que continua com manifestações culturais, religiosas e profanas. Há grande movimentação à noite, com praça de alimentação e outras atividades. A grande praça é cercada pelas igrejas de Nossa Senhora da Expectação e do Senhor do Bonfim, pela antiga Casa de Câmara e Cadeia, pelo Teatro da Ribeira dos Icós e pelos sobrados do Barão do Crato e do Canela Preta, além de outras edificações importantes. Casa de Câmara e Cadeia, onde funcionavam a câmara municipal e a cadeia pública. Neste local foi planejada a Confederação do Equador. Bárbara de Alencar fic
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