Haiti enfrenta a "crise mais grave do hemisfério ocidental"

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Haiti enfrenta a "crise mais grave do hemisfério ocidental"

Guterres sublinhou numa conferência de imprensa durante a visita ao país que a origem da crise que o Haiti atravessa reside na insegurança causada pelos bandos que "aterrorizam" a população e que levaram à deslocação de 1,5 milhões de pessoas para o interior do país, deixando ainda 6,4 milhões de pessoas dependentes de ajuda humanitária. "Daqui a pouco vou partir do vosso país, mas o que vi não me abandonará", lamentou o secretário-geral, que salientou que, para os haitianos,

Guterres sublinhou numa conferência de imprensa durante a visita ao país que a origem da crise que o Haiti atravessa reside na insegurança causada pelos bandos que "aterrorizam" a população e que levaram à deslocação de 1,5 milhões de pessoas para o interior do país, deixando ainda 6,4 milhões de pessoas dependentes de ajuda humanitária. "Daqui a pouco vou partir do vosso país, mas o que vi não me abandonará", lamentou o secretário-geral, que salientou que, para os haitianos, "cada dia é uma luta pela sobrevivência". Guterres alertou também para a crise alimentar que o Haiti atravessa, onde "cerca de 6 milhões de pessoas enfrentam grave insegurança alimentar": "Falei [esta terça-feira] com muitos homens, mulheres e crianças que têm apenas uma refeição por dia", lamentou. A máxima autoridade da ONU alertou ainda que, no primeiro trimestre deste ano, em média, todos os dias, mais de 20 mulheres e raparigas "foram agredidas", e que o número de crianças recrutadas pelos gangues "triplicou", pelo que "agora um em cada dois membros dos gangues é uma criança". Perante esta situação, lamentou que o plano de resposta das Nações Unidas para o Haiti seja o programa humanitário "menos financiado" da organização, com apenas um quarto do total previsto de 880 milhões de dólares angariado. "O Haiti não pede esmola. O Haiti pede que o mundo cumpra a sua palavra. E o Haiti não pode esperar (...). A maior vergonha não é a violência dos bandos. A maior vergonha é a indiferença de um mundo que, durante demasiado tempo, desviou o olhar", sublinhou. Apesar da situação, o secretário-geral quis destacar como pontos positivos o facto de bairros inteiros do centro de Porto Príncipe, a capital do país, terem sido retomados pelas autoridades e de o Conselho de Ministros se ter reunido novamente no Palácio Nacional após mais de três anos, o que representa "o símbolo do regresso progressivo do Estado". Referindo-se à Força de Supressão de Gangues (GSF, na sigla em inglês), aprovada pelas Nações Unidas para combater os bandos armados e que prevê um máximo de 5.500 elementos de vários países, indicou que esta oferece uma "possibilidade real de fazer recuar a violência e restabelecer a autoridade do Estado". No entanto, insistiu que, quando o Haiti sofre "a terceira crise humanitária do mundo, a seguir à Palestina e ao Sudão, e quando um apelo humanitário mal atinge 24% do financiamento necessário, torna-se evidente que a comunidade internacional não está plenamente empenhada" com o país caribenho. "E devo dizer que, ao ver as tropas que participam na Força de Repressão dos Gangues, vi chadianos, jamaicanos e vamos ver bengalis; não vejo os países desenvolvidos a contribuir. Penso que está na hora de os países em desenvolvimento começarem a participar neste tipo de operações, porque é importante demonstrar que todos somos importantes no mundo atual", afirmou.

📌 Kaynak

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