Pelos objetivos traçados no início da guerra, Irã sai vencedor em acordo inicial de paz assinado com os EUA, diz professor

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Pelos objetivos traçados no início da guerra, Irã sai vencedor em acordo inicial de paz assinado com os EUA, diz professor

Trump assina acordo inicial com Irã em Versalhes Na guerra travada contra EUA e Israel, o Irã sofreu com a morte de milhares de civis, perdeu boa parte de sua Força Aérea, de sua Marinha e viu até mesmo seu Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, morrer vítima dos ataques estrangeiros. Apesar disso, a assinatura do acordo inicial de paz com os EUA, firmada pelos presidentes dos dois países na quarta-feira (17), é uma vitória parcial para Teerã. ✅ Siga o canal de notícias inter

Trump assina acordo inicial com Irã em Versalhes Na guerra travada contra EUA e Israel, o Irã sofreu com a morte de milhares de civis, perdeu boa parte de sua Força Aérea, de sua Marinha e viu até mesmo seu Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, morrer vítima dos ataques estrangeiros. Apesar disso, a assinatura do acordo inicial de paz com os EUA, firmada pelos presidentes dos dois países na quarta-feira (17), é uma vitória parcial para Teerã. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A análise é de Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard. Brustolin destaca que, apesar das perdas no campo de batalha, o Irã conseguiu manter o controle do Estreito de Ormuz e, usando isso a seu favor, foi capaz de levar suas exigências à mesa de negociação — e, de quebra, frear a crescente projeção de Israel no Oriente Médio. "Isso é uma mudança da arquitetura de poder na região", resume o professor e pesquisador, destacando que um vencedor do conflito só deverá emergir com clareza quando e se um acordo de paz definitivo for assinado. O Estreito de Ormuz é um ponto estratégico de escoamento de boa parte do petróleo e do gás mundial. Ele estava aberto até fevereiro, quando Teerã fechou a passagem em resposta à ofensiva militar de EUA e Israel, elevando o preço dos produtos no mercado internacional e produzindo um efeito cascata em todo o comércio mundial. Presidente dos EUA, Donald Trump, e presidente do Irã, Masoud Pezeshkian Evelyn Hockstein/Reuters e Angelina Katsanis/AP Photo "A guerra não era sobre o Estreito de Ormuz, era sobre frear a projeção de poder do Irã na região", diz Brustolin. "Esse era o objetivo declarado de Pete Hegseth no começo do conflito." "O Irã continua com cerca de dois terços dos seus mísseis balísticos, com seu programa de drones, com 11 toneladas de urânio enriquecido a porcentagens desconhecidas. Ele mantém o status quo", diz o professor, pontuando que o programa nuclear será discutido antes de um acordo definitivo ser assinado. Ou seja, os iranianos seguem com o poder de se impor militarmente frente a países na região, incluindo adversários regionais e aliados dos americanos, como a Arábia Saudita, o Kuwait e Bahrein, por exemplo, que foram alvos constantes de ataques ao longo do conflito. Além disso, destaca Brustolin, o Irã negocia o fim de sanções e o acesso a um fundo de US$ 300 bilhões — e tem a chance de conseguir fazê-lo sem desmantelar uma rede de influência considerada terrorista por parte da comunidade internacional, da qual fazem parte o Hezbollah, no Líbano, e os houthis, no Iêmen. De quebra, "o Irã também interrompe um momento em que Israel vinha em uma trajetória crescente de poder geopolítico", afirma o professor. Desde os ataques terroristas do Hamas, em outubro de 2023, Israel iniciou uma ofensiva contra diversos inimigos regionais, "às vezes lutando em seis frentes ao mesmo tempo", e consegue enfraquecer todos eles. Além do próprio Hamas, em Gaza, Israel enfraquece um eixo de poder de "proxies" iranianos que se estendia até as suas fronteiras: o Hezbollah, grupo extremista xiita (como o Irã) é alvo de diversos ataques, que acabam inclusive matando seu líder, Hasan Nasrallah; e a própria Síria sofre a queda do regime de Bashar al-Assad, também xiita, substituído por um líder sunita. Desta vez, porém, o governo israelense se vê frustrado no objetivo de desmantelar o programa de drones e de mísseis balísticos do Irã, ambos capazes de atingir seu território. Navios são vistos no Estreito de Ormuz, em Musandam, em Omã, no dia 16 de junho de 2026 Reuters Acordo de Obama x Acordo de Trump Brustolin faz questão de ressaltar que o acordo inicial assinado nesta semana deixa muitas pontas em aberto e se assemelha mais a um cessar-fogo, em que as partes concordam com o fim dos combates e se voltam para uma resolução diplomática. Oficialmente, ele é chamado de "memorando de entendimento" por EUA e Irã. A principal questão adiada pelo documento é a do programa nuclear iraniano, que deve ser discutida pelos negociadores nos próximos 60 dias — e, caso não eles não entrem num acordo, as conversas se estendem por mais 60 dias. O professor chama a atenção para o acordo nuclear firmado em 2015 entre Teerã e o governo de Barack Obama, que colocava uma série de freios ao programa do Irã em troca do fim das sanções comerciais ao país. "Esse acordo foi duramente criticado por Trump e por senadores republicanos por muito tempo", aponta Brustolin. Trump, ao chegar na presidência pela primeira vez, se retira unilateralmente do acordo, taxando-o de ruim para os EUA. Mas o que diz esse acordo? "Ele dizia que o Irã não poderia enriquecer urânio a mais de 3,67%, e que o país só poderia manter 300 kg do material, reduzir drasticamente o número de centrífugas e concentrar toda a sua produção em Natanz", resume o pro

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