Tabelião acusado de matar mulher grávida e sogros é condenado a 70 anos de prisão
Júri popular de tabelião acusado de triplo homicídio em Nova Friburgo Após quase cinco anos de espera, chegou ao fim na noite desta terça-feira (17) um dos casos criminais de maior repercussão da história recente de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. O tabelião Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcellos foi condenado a 70 anos, 6 meses e 15 dias de reclusão em regime fechado pelo assassinato da mulher, Nahatty Gomes, grávida de seis meses, e dos sogros, Rosemary Gomes da Cunha
Júri popular de tabelião acusado de triplo homicídio em Nova Friburgo Após quase cinco anos de espera, chegou ao fim na noite desta terça-feira (17) um dos casos criminais de maior repercussão da história recente de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. O tabelião Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcellos foi condenado a 70 anos, 6 meses e 15 dias de reclusão em regime fechado pelo assassinato da mulher, Nahatty Gomes, grávida de seis meses, e dos sogros, Rosemary Gomes da Cunha e Wellington Gomes Melo, em agosto de 2021, no bairro Cônego. O julgamento, realizado no Tribunal do Júri do Fórum de Nova Friburgo, durou cerca de 29 horas de sessão divididas em dois dias intensos, mobilizando familiares, advogados, Ministério Público, Defensoria Pública e dezenas de pessoas que acompanharam o caso desde o início. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. Apesar da condenação, a defesa informou que irá recorrer da sentença. Mesmo assim, Ricardo segue preso. Como ele está detido preventivamente desde agosto de 2021, cerca de quatro anos e dez meses já cumpridos deverão ser abatidos do total da pena, caso a condenação seja mantida nas instâncias superiores. O júri foi retomado na segunda-feira (16), após ter sido interrompido em dezembro de 2025, quando o próprio réu destituiu o defensor que o representava durante a sessão anterior, levando a juíza a dissolver o conselho de sentença e remarcar todo o julgamento. Esposa grávida e sogros que foram assassinados por tabelião em Nova Friburgo Reprodução g1 Como foram os dois dias de julgamento Durante o primeiro dia, os trabalhos avançaram até aproximadamente 2h30 da madrugada. Foram ouvidas testemunhas tanto de defesa quanto de acusação, além de informantes relacionados ao caso. Entre os depoimentos, chamou atenção o relato de Saliha Mello, irmã de Nahatty, que relembrou os últimos momentos ao lado da família, como quando fez uma chamada de vídeo com sua irmã e seus pais poucas horas antes da tragédia. Também no primeiro dia aconteceu o interrogatório de Ricardo Jucá, que durou cerca de uma hora. Durante o depoimento, ele voltou a sustentar a versão de que sofreu um surto psicótico no dia do crime, provocado pelo uso de medicamentos psiquiátricos, e afirmou não se lembrar de nada a partir do momento em que pegou a arma usada nos assassinatos. Já nesta terça-feira (17), aconteceram os debates finais entre acusação e defesa. A Defensoria Pública manteve a tese de que Ricardo não possuía plena capacidade mental no momento dos crimes e pediu a chamada absolvição imprópria, com aplicação de medida de segurança e tratamento psiquiátrico. Os defensores também alegaram ausência de provas suficientes para condenação criminal comum. Por outro lado, o Ministério Público sustentou que o crime foi premeditado e que o réu tinha total consciência dos próprios atos. Durante a sustentação da acusação, um dos momentos de maior impacto aconteceu quando foi exibido um vídeo produzido por Saliha, reunindo áudios, fotos e registros da convivência familiar das vítimas. O material comoveu familiares, presentes no plenário e parte da equipe envolvida no julgamento. Segundo os promotores, no entanto, Ricardo Jucá permaneceu sem esboçar qualquer reação emocional durante toda a exibição. Sentença e emoção no plenário Na sentença lida pela juíza Dra. Simone Dalila Nacif, ficou estabelecido que o réu foi condenado pelos assassinatos e pelo crime de aborto provocado, com o reconhecimento de agravantes que tornaram a punição mais severa, entre elas o feminicídio, a violência doméstica, o fato de uma das vítimas estar grávida e a impossibilidade de defesa das vítimas durante o ataque. Ao definir a pena, a magistrada considerou que as provas apresentadas durante o julgamento mostraram que o réu tinha plena consciência do que fazia no dia do crime, descartando a tese da defesa de que ele estaria em surto psicológico. Segundo a decisão, ele realizou atividades normalmente horas antes dos assassinatos, negociou a compra de uma arma e demonstrou comportamento incompatível com alguém sem controle sobre os próprios atos. A juíza também destacou a extrema gravidade das consequências do crime, ressaltando o impacto devastador causado à família das vítimas. Na avaliação da sentença, além das mortes violentas, o caso destruiu praticamente todo um núcleo familiar em um único episódio, causando sofrimento permanente aos parentes sobreviventes, fator que contribuiu para o aumento da pena aplicada ao condenado. Ao final da leitura da sentença, a emoção tomou conta do plenário. Alguns integrantes do conselho de sentença chegaram a se emocionar com o encerramento de um processo que mobilizou a cidade durante anos. Paulo Campos, marido de Saliha, abraçou a mulher logo após o resultado e disse: “Agora você vai poder dormir em paz.” A família irá falar sobre o caso em coletiva à imprensa posteriormente. Em cima, Nahaty e
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