Como De la Espriella construiu sua fortuna e os negócios questionáveis envolvendo o vencedor das eleições na Colômbia
Estima-se que De la Espriella tenha dezenas de empresas. Algumas estão endividadas ou operando com prejuízo JOAQUIN SARMIENTO / AFP VIA GETTY IMAGES Abelardo de la Espriella, que ganhou a eleição na Colômbia em apuração preliminar no domingo (21), admite ser um sibarita, pessoa que aprecia luxos e prazeres da vida em geral. Um dândi com sotaque caribenho que gosta da boa gastronomia, passa temporadas em Florença e Miami, vende vinhos da Toscana e gravatas de seda italianas, u
Estima-se que De la Espriella tenha dezenas de empresas. Algumas estão endividadas ou operando com prejuízo JOAQUIN SARMIENTO / AFP VIA GETTY IMAGES Abelardo de la Espriella, que ganhou a eleição na Colômbia em apuração preliminar no domingo (21), admite ser um sibarita, pessoa que aprecia luxos e prazeres da vida em geral. Um dândi com sotaque caribenho que gosta da boa gastronomia, passa temporadas em Florença e Miami, vende vinhos da Toscana e gravatas de seda italianas, usa relógios de luxo e dirige carros de potência extravagante. "Eu o conheço e ele não vive de forma modesta; tem um padrão de vida que exige muitos recursos", descreve o jornalista Ángel Becassino, que investigou a biografia do presidente eleito da Colômbia — que aguarda a contagem oficial dos votos. A fortuna de De la Espriella, um empresário conservador de linha dura alinhado à direita de Donald Trump, Nayib Bukele e Javier Milei nas Américas, foi um tema central de sua campanha. Advogado, ele se apresenta como um empresário bem-sucedido que financiou sua campanha presidencial com seus lucros e empréstimos. Foi com base nisso que defendeu sua condição de outsider, o que, segundo ele, lhe permitirá governar com independência em relação aos poderes tradicionais do país. Mas sua fortuna também é alvo de questionamentos. Críticos e adversários políticos debatem as ligações de De la Espriella com clientes associados ao paramilitarismo e a casos de corrupção. Parlamentares democratas dos Estados Unidos e investigações de veículos como La Silla Vacía também levantam dúvidas sobre a transparência de suas atividades empresariais. A origem de seu dinheiro está atraindo atenção depois de sua vitória no segundo turno contra Iván Cepeda, que buscava dar continuidade ao caminho progressista do atual presidente, Gustavo Petro. Quem é Abelardo de la Espriella, presidente eleito em apuração preliminar na Colômbia Um jovem de negócios De la Espriella tem três nacionalidades: colombiana, americana e italiana. Nasceu em Bogotá, mas foi criado em Montería, capital do departamento de Córdoba, na região caribenha da Colômbia. "Ele vem de uma família de certo status, de classe média um pouco mais alta, de um ambiente com recursos e alguma propriedade rural", diz Becassino. Desde pequeno, De la Espriella demonstrou aptidão para os negócios. Ele alugava seu videogame para outras crianças e vendia mantimentos no bairro, contou. Mais tarde, quando se mudou para Bogotá para estudar direito na Universidade Sergio Arboleda, ampliou seu mercado. Gerardo Reyes, jornalista colombiano que também investigou parte da trajetória de De la Espriella, conta que "foi ali que ele fez negócios, vendendo roupas, uísque e esmeraldas nos Estados Unidos". Aqueles foram os primeiros passos de uma carreira que levou à fundação de dezenas de empresas, entre elas um escritório de advocacia controverso, de grande visibilidade e prolífico, que impulsionou sua renda e sua marca pessoal. Advogado de paramilitares Carlos Castaño, antigo líder das AUC, assassinado em 2004 STR/AFP VIA GETTY IMAGES Após atuar como representante musical de cantores de música típica caribenha, como relata Becassino, De la Espriella encontrou sua galinha dos ovos de ouro no início dos anos 2000. O governo de Álvaro Uribe Vélez estava concluindo o chamado Acordo de Santa Fe de Ralito, um processo de desmobilização e paz com as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). As AUC foram um grupo paramilitar de extrema direita criado no fim dos anos 1990 para combater as guerrilhas de esquerda e proteger os interesses de empresários e proprietários rurais locais. Um dos principais redutos do grupo foi o departamento de Córdoba. Às AUC são atribuídos crimes contra a humanidade, massacres e ligações com o narcotráfico. De la Espriella "entra no universo paramilitar por meio de um antropólogo de Montería que ensinava geopolítica, boas maneiras e história a Carlos Castaño, líder das AUC", relata Reyes. Ali ele encontrou o que muitos figurões do ramo consideram clientes ideais: pessoas com grande poder aquisitivo e necessidades urgentes. Nesse caso, eram indivíduos presos, acusados de crimes graves e dispostos a pagar o que fosse preciso para sair daquela situação. "O próprio De la Espriella me descreveu essa condição como a ideal para um advogado. Foi assim que ele construiu sua fortuna", relata Becassino. Fama, honorários elevados e acusações Alberto Santofimio Botero era cliente de De la Espriella. O ex-ministro da Justiça cumpre pena de prisão por seu envolvimento no assassinato do candidato presidencial Luis Carlos Galán, em 1989 PEDRO UGARTE/AFP via Getty Images Desde então, o empresário construiu um nome cada vez mais reconhecido, uma marca. A seus serviços recorreram celebridades, empresários ricos, políticos do alto escalão, vítimas de violência de gênero e de desastres ambientais, além de pessoas envolvidas em escândalos
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