Camarão marinho no interior de SP: projeto avança contra doença e quer expandir o cultivo longe do oceano

🔬 Bilim 📰 Globo G1 (BR) 🕐 3 saat önce
Camarão marinho no interior de SP: projeto avança contra doença e quer expandir o cultivo longe do oceano

Camarão marinho no interior de SP: projeto avança contra doença e quer expandir o cultivo Criar camarão marinho a quilômetros de distância do oceano pode parecer improvável, mas uma pesquisa desenvolvida em Jaguariúna (SP) mostra que a produção no interior paulista é possível e pode abrir espaço para expansão da carcinicultura no estado. O projeto é conduzido pelo zootecnólogo Fábio Sussel, pesquisador do Instituto de Pesca, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abast

Camarão marinho no interior de SP: projeto avança contra doença e quer expandir o cultivo Criar camarão marinho a quilômetros de distância do oceano pode parecer improvável, mas uma pesquisa desenvolvida em Jaguariúna (SP) mostra que a produção no interior paulista é possível e pode abrir espaço para expansão da carcinicultura no estado. O projeto é conduzido pelo zootecnólogo Fábio Sussel, pesquisador do Instituto de Pesca, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag) e iniciativa privada. 🔎 A carcinicultura é o ramo da aquicultura voltado para a criação de crustáceos em cativeiro, com foco principal na produção de camarões. A atividade envolve o cultivo em viveiros ou tanques controlados (marinhos ou de água doce) para fins comerciais Batizado de “Viabilidade Técnica e Econômica da Produção de Camarão Marinho Longe do Mar”, o estudo avalia a criação dos animais em água artificialmente salinizada, em um sistema desenvolvido para produção em larga escala no interior do estado. 🔔 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Além da viabilidade técnica da produção no interior paulista, os principais avanços recentes do projeto estão relacionados ao controle da mionecrose infecciosa (NIM), considerada uma das doenças mais severas da carcinicultura mundial. Segundo o pesquisador, os protocolos desenvolvidos ao longo dos últimos anos permitiram reduzir o surgimento da doença e diminuir a mortalidade dos camarões quando os casos aparecem. O trabalho inclui ainda aperfeiçoamentos contínuos de manejo, nutrição e qualidade da água. Criação de camarão marinho no interior de São Paulo avança com pesquisa em Jaguariúna Fábio Sussel Dados do Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo (Lupa) indicam crescimento da carcinicultura paulista entre os períodos de 2007 a 2008 e de 2016 a 2017. Segundo o painel, o número de Unidades de Produção Agropecuária (UPAs) dedicadas à criação de camarões passou de 118 para 123 no período, aumento de 4,24%. Atualmente, a atividade está presente em 49 municípios paulistas. Nesta reportagem você vai entender: Como a água é adaptada para o cultivo Como a estrutura funciona Quais os principais desafios da produção Por que o projeto é importante A adaptação da água para o cultivo A ideia surgiu da trajetória profissional do pesquisador. Antes de ingressar no Instituto de Pesca, Sussel trabalhou em uma fazenda de camarão no Rio Grande do Norte, entre 2002 e 2003, e desde então acompanha o setor de carcinicultura. Em 2018, ele passou a desenvolver pesquisas voltadas à criação de camarão marinho em sistemas de recirculação de água no interior de São Paulo. 🦐 Entenda: segundo o especialista, o camarão marinho não precisa da mesma salinidade da água do oceano para sobreviver e crescer. A água do mar possui cerca de 33 gramas de sal por litro, mas o cultivo pode ocorrer em níveis bem menores de salinidade. “Não é salinizar apenas com NaCL [fórmula do cloreto de sódio], com sal de cozinha, com o cloreto, mais o sódio, mas sim salinizando e imitando os mesmos sais que tem na água do mar”, explicou o pesquisador. O processo utiliza sais como cloreto, sódio, cálcio, potássio, sulfato e magnésio para reproduzir as condições químicas necessárias ao desenvolvimento dos camarões. Como a estrutura funciona Sistema reutiliza água tratada para produção sustentável de camarões Fábio Sussel A estrutura funciona em um sistema fechado de recirculação chamado RAS (do inglês Recirculating Aquaculture System), em que a mesma água é reutilizada após passar por processos de filtragem biológica, que removem compostos tóxicos dos camarões, como amônia e nitrito. Na fazenda experimental, sete tanques são distribuídos em duas estufas e operam em sistema intensivo de produção. A capacidade é de cerca de 2 mil metros cúbicos de água em circulação. Nesse espaço são desenvolvidas e aprimoradas estratégias que incluem: uso de probióticos para melhorar a qualidade da água; uso de imunomoduladores para fortalecer o sistema imunológico dos camarões e reduzir a incidência de doenças; desenvolvimento de protocolos técnicos de manejo aplicados no dia a dia da produção; aproveitamento de aparas de salmão coletadas em restaurantes de sushi na alimentação dos animais. Diferentemente de experimentos realizados em aquários ou pequenas caixas d’água, os estudos em Jaguariúna acontecem em uma área projetada para simular condições reais de produção comercial. Toda a água utilizada no cultivo é captada da chuva e o sistema foi desenvolvido para evitar o descarte de efluentes no meio ambiente, reduzindo impactos ambientais. O pesquisador explica também que o ciclo de produção varia de 90 a 130 dias. Em condições convencionais, os camarões atingem cerca de 12 gramas em aproximadamente três meses, mas

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