'Não conseguiu cantar de tão bêbado': como excesso de álcool nos palcos e bastidores afeta rotina dos artistas
Entre dancinhas e "gelas", Nattan fez um show de quase duas horas no Ribeirão Rodeo Music 2026 Érico Andrade/g1 A autocrítica feita por Nattan após um show em Maracanaú, no Ceará, no último final de semana, reacendeu uma discussão antiga dos bastidores da música: o impacto do consumo de álcool na rotina de apresentações. O cantor admitiu que o entusiasmo e a bebida consumida ainda no camarim comprometeram sua performance, a ponto de repetir ao menos uma das músicas diversas v
Entre dancinhas e "gelas", Nattan fez um show de quase duas horas no Ribeirão Rodeo Music 2026 Érico Andrade/g1 A autocrítica feita por Nattan após um show em Maracanaú, no Ceará, no último final de semana, reacendeu uma discussão antiga dos bastidores da música: o impacto do consumo de álcool na rotina de apresentações. O cantor admitiu que o entusiasmo e a bebida consumida ainda no camarim comprometeram sua performance, a ponto de repetir ao menos uma das músicas diversas vezes durante o show. Ele não citou se vai abandonar o consumo de álcool, mas prometeu entregar para o público uma "nova apresentação com o padrão de qualidade que seu público conhece" em uma outra data. Semanas antes, Murilo Huff havia contado em uma entrevista ao apresentador Renato Sertanejeiro que reduziu drasticamente o consumo de álcool em shows após uma conversa com Luan Santana ainda em 2022. No ano passado, João Gomes revelou ter moderado o consumo de bebida por questões de saúde. Diagnosticado com gordura no fígado, o artista comentou que foi difícil abandonar o costume de tomar duas doses de cachaça por show. Soma-se a esses depoimentos um novo relato de Zé Neto, dupla de Cristiano. Em entrevista a Luciano Huck no mês passado, ele relatou que entrou em um ciclo perigoso e abusivo de remédios, bebida e cigarro para dar conta da rotina de shows antes de aceitar o diagnóstico da doença. Em 2024, a dupla anunciou uma pausa na carreira para Zé tratar uma depressão. Antes desse afastamento dos palcos e da vida artística, o cantor usava a bebida como mecanismo para enfrentar crises de depressão e síndrome do pânico. Entre artistas de diferentes gêneros musicais, o consumo de bebida alcoólica antes ou durante apresentações sempre fez parte dos bastidores dos shows. Mas esses relatos recentes mostram que a prática pode impactar diretamente a qualidade das apresentações. E trazer questões de curto a longo prazo para a voz, a imagem, a saúde e a carreira dos artistas. Da conexão com o público ao alerta da produção Em conversa com o g1, uma profissional da produção do universo sertanejo que preferiu não se identificar afirmou que, atualmente, existe uma "geração de cantores que 'forçam a barra' [com a bebida nos palcos] para querer gerar conexão [com o público]. 'Ah, eu também gosto de beber, sou como vocês'. Aí, uma hora passa da conta. Um dia, perde a linha", diz. Ela ainda afirma que, como o álcool faz parte da cultura dos shows de artistas de gêneros musicais mais populares, como o sertanejo e o forró, a produção só fica atenta à questão quando o consumo passa a ser algo grave, acendendo um alerta. "Quando a produção identifica como um problema, todo mundo fica com medo." Um exemplo recente e emblemático foi o de Zé Neto. Por ter se tornado um grande problema para o cantor, todas as bebidas foram tiradas do camarim da dupla. Virada de chave Murilo Huff empolga e encanta público na 1ª noite de show da Festa Junina de Votorantim (SP) Marcel Scinocca/g1 Em maio, Murilo Huff relembrou que um encontro com Luan Santana o fez mudar sua visão sobre o consumo de álcool antes e durante as apresentações. Murilo havia sido convidado para se apresentar na primeira edição do "Luan City", em Goiânia, em 2022. "Eu estava empolgado e entrei na cana. Fiz um show bacana. Só que no show do Luan, ele me chamou pra cantar com ele. Eu cheguei nele todo animado e falei: 'bora, nego, vamos tomar uma. O que você tá bebendo aí?'." Murilo conta que Luan respondeu que estava bebendo somente água. "Rapaz, eu falei: 'nossa, eu sou um bosta. O cara é o Luan Santana, irmão, o cara faz sucesso há quantos mil anos?'. A partir desse dia eu parei de beber em show. Não cortei. Mas reduzi muito." Murilo contou que, antes desse episódio, chegava a beber uma garrafa de gim ou de vodca em seus shows. "O álcool dá uma sensação de liberdade, ele descontrai. Mas para o artista, a gente precisa lembrar que é o trabalho dele. Ele está sendo muito avaliado naquele momento e espera-se que, assim como em qualquer outro trabalho, a pessoa não esteja alcoolizada", afirma a psicóloga Juliana Chiavassa. "E, principalmente o álcool afeta a nossa cognição, nossa memória. Ele pode esquecer letra, pode desafinar, falar alguma coisa que sóbrio ele não teria coragem de falar. E a visibilidade que um artista tem é muito maior do que a de uma pessoa comum que está numa mesa com amigos. Então, a longo prazo, isso também pode ser muito prejudicial para a própria imagem", completa a psicóloga. Comprometimento de performance O caso de Nattan exemplifica o tal comprometimento de performance. Na apresentação que gerou a polêmica, o artista teria cantado a música "Na Casa da Vizinha" dezenas de vezes. Nas redes sociais, há relatos de que ele não teria "conseguido cantar de tão bêbado". E há também depoimentos de fãs dizendo que este já é um comportamento comum do cantor nos palcos. "A gente tem que lembr
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